José António Abreu @ 13:42

Qua, 29/02/12

«Já te apaixonaste?»

«Muitas vezes.»

«Como é que consegues, com essas teorias? Afinal, sabes que a coisa está condenada ao fracasso.»

«'Fracasso' é o que tu lhe chamas. A paixão é um estado transitório sem prazo definido. Eu limito-me a aceitar que tem prazo.»

«Convém que elas também o aceitem.»

«Comigo, aceitam sempre. Aliás, com frequência são elas quem chega à conclusão de que o prazo foi atingido. As mulheres não são más nessas coisas. Mas na maioria das vezes nem me apaixono por uma mulher completa e sei imediatamente que aquilo vai durar pouco.»

«O que diabo queres dizer com isso?»

«Apaixono-me por um sorriso, uma frase, um par de mamas. As mulheres são sempre menos interessantes do que as suas melhores partes.»



Sílvia @ 18:13

Sab, 24/03/12

 

Com o decurso do tempo aprendi. Como vai sempre acontecendo (ou não...) com cada um de nós. (atenção, desaprender também faz parte do ciclo). Apaixonada pensei ser a paixão um estado de alma facilmente atingível. Desapaixonada percebi que é afinal um estado de alma que se ausenta por tempo indeterminado. Essa paixão parcial é apenas uma parte de algo maior. Parcialmente a paixão surge aqui e ali com a facilidade com que se dá a volta ao quarteirão (ou quase). De forma ainda mais efémera e dessubstanciada. Estamos vivos. Sentimos. E logo a seguir voltamos a sentir, que se foi, como veio, do nada. A paixão por um homem completo é desafiante, interrogativa e invasiva, e estranha ao ponto de abranger as piores partes.